Entendendo a Amamentação

AMAMENTAÇÃO ou ALEITAMENTO materno é a alimentação de bebês e crianças pequenas com leite produzido pelas mamas da mãe.

Amamentar é muito mais do que nutrir a criança. É um momento que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional da criança, em sua habilidade de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional.

A AMAMENTAÇÃO é indicada a partir da primeira hora de vida do bebê e que continue a ser amamentado com a frequência e quantidade que o bebê desejar.

Primeira hora de vida do bebê - a HORA DE OURO

O início da vida é muito importante para os bebês e irá refletir em muitos aspectos de sua saúde no futuro.

A primeira hora de vida do bebê é ainda mais importante e é conhecida como a HORA DE OURO.

Em socorro médico, essa hora se refere aos primeiros cuidados que podem ser decisivos para salva a vida de uma pessoa.

No final do trabalho de parto o organismo feminino é inundado por adrenalina que dá energia e disposição para vencer as últimas etapas. Tudo é compartilhado entre mamãe e bebê nasce com altos níveis desse neurotransmissor circulando, o deixando ambos alertas e ativos.   Estes níveis irão reduzir rapidamente nos minutos seguintes e o bebê estará sonolento e precisando descansar do grande estresse que foi o parto e a adaptação à vida extrauterina.

Imediatamente após o parto, o pediatra irá observar o estado de saúde do bebê. Caso tudo esteja bem, o pequeno deverá ir direto para o colo da mãe, independente dela ter realizado parto normal ou cesárea.

Com o bebê no colo, por ação reflexa ou com auxílio, ele irá procurar o seio materno, cheirar, lamber e até mamar se houver força e disposição para isso.

Esse contato entre os dois, por mais rápido que seja, terá impactos positivos e duradouros.

Os benefícios são inúmeros e passam pelo fortalecimento do vínculo, o corpo da mãe aquece o bebê, ele volta a ouvir o conhecido batimento cardíaco de mamãe, redução de sensações dolorosas, colonização do bebê por bactérias da flora natural da mãe e o melhor e mais precoce incentivo a amamentação estimulando a velocidade de descida e capacidade de produção de leite.

Bebês que serão separados da mãe, para serem levados ao berçário, oferecer leite materno na primeira hora é essencial para evitar hipoglicemia e, consequentemente, a oferta de leite artificial.

A primeira hora é tão importante que uma pesquisa feita pela Universidade Vanderbilt dos Estados Unidos, apontou que amamentar o bebê na primeira hora de vida aumenta em 50% as chances da mãe conseguir amamentar até os seis meses de vida.

 

Colostro

 

O colostro é o primeiro alimento do recém-nascido. Primeira secreção láctea produzida pelo seio materno, podendo ter uma coloração translúcida (transparente) ou amarelada.  Por meio do colostro a mãe transfere anticorpos para o recém-nascido, que possui um sistema imune ainda frágil e imaturo além de bactérias do bem que irão contribuir para a formação da flora intestinal do pequeno.

 

Não se preocupe em não ter leite o suficiente! O bebê nasce com uma reserva de energia para poder assegurar uma quantidade menor de oferta do leite materno nos primeiros dias e, com o passar do tempo, começa a contar com esse alimento para seu desenvolvimento.

​Quantas vezes e a que hora?

Recomenda-se que a criança seja amamentada na hora que quiser e quantas vezes quiser; chamado de AMAMENTAÇÃO EM LIVRE DEMANDA.

Nos primeiros meses, é normal que a criança mame com frequência e sem horários regulares.  Em geral, um bebê em aleitamento materno exclusivo mama de 8 a 12 vezes ao dia ou em intervalos de aproximadamente duas ou três horas.

Muitas mães, principalmente as que estão inseguras e as com baixa autoestima, costumam interpretar esse comportamento normal como sinal de fome do bebê, leite fraco ou pouco leite, o que pode resultar na introdução precoce e desnecessária de complementos. 

Não faça isso!  

Procure ajuda profissional para determinar se o desenvolvimento de seu bebê está se dando de forma satisfatória e saudável antes de qualquer modificação de comportamento.

​O tempo de permanência na mama em cada mamada não deve ser fixado - em média é de dez a quinze minutos em cada mama - haja vista que o tempo necessário para esvaziar uma mama varia para cada dupla mãe/bebê e, numa mesma dupla, pode variar dependendo da fome da criança, do intervalo transcorrido desde a última mamada e do volume de leite armazenado na mama, entre outros.

Com o passar das semanas e meses, os bebês mamam com menos frequência. Cada bebê tem seu próprio ritmo de mamar, o que deve ser respeitado.

Quando a mamãe precisa se afastar do bebê podem ser usadas bombas de extração de leite e o leite armazenado para consumo posterior, a ser ofertado em COPINHO.

 

Posição:

O bebê deve estar virado para a mãe (barriga com barriga), bem junto de seu corpo, bem apoiado e com os braços livres.  A cabeça do bebê deve ficar de frente para o peito e o nariz bem na frente do mamilo.  Só coloque o bebê para sugar quando ele abrir bem a boca. Quando o bebê pega bem o peito, o queixo encosta na mama, os lábios ficam virados para fora, o nariz fica livre e aparece mais aréola (parte escura em volta do mamilo) na parte de cima da boca do que na de baixo.

Com alguns cuidados, principalmente com a adequação da pega, a amamentação não machuca o peito.  A melhor posição para amamentar é aquela em que a mãe e o bebê sintam-se confortáveis.  A amamentação deve ser prazerosa tanto para a mãe como para o bebê.

 

Caso a mulher ou família tenha dificuldades no posicionamento do bebê é importante procurar ajuda de uma Consultoria em Amamentação.

 

Caso ocorram feridas nos mamilos, a laserterapia pode auxiliar na dor e acelerar o processo de cicatrização, tornando o momento da amamentação mais confortável para mãe e bebê.

 

Alguns bebês podem apresentar alterações anatômicas e/ou funcionais que prejudiquem a sucção e a estimulação da manutenção da produção de leite. O FONOAUDIÓLOGO é o profissional especializado para detectar essas alterações miofuncionais e tratá-las.

O Teste da Linguinha, realizado nas maternidades, pode auxiliar na detecção precoce dessas alterações e minimizar o risco de desmame.

Benefícios:

​A amamentação diminui o risco de infeções respiratória e diarreia nos bebês. Diminui ainda o risco de asma, alergias alimentares, doença celíaca, diabetes tipo 1 e leucemia.  A amamentação pode também melhorar o desenvolvimento cognitivo e diminuir o risco de obesidade em adulto.

Entre os benefícios da amamentação para a mãe estão: diminuição das hemorragias após o parto, melhor recuperação do útero, perda de peso e menor incidência de depressão pós-parto, atraso do regresso da menstruação e da fertilidade.   A longo prazo, há diminuição do risco do câncer de mama, doenças cardiovasculares e artrite reumatoide.

 

São raras as condições médicas que impedem a mulher de amamentar.  Mas mulheres que consumiram drogas recreativas e determinados tipos de medicamento não devem amamentar.  Fumar, consumir álcool em pouca quantidade e beber café não são motivos para deixar de amamentar, embora seja desaconselhado.

 

​Ganho de Peso:

Considera-se que um ganho normal de peso normal para os 6 primeiros meses de vida algo em torno de 500 g por mês e entre os 06 e os 12 meses cerca de 400 g por mês.

Assim sendo, em condições normais, o peso do bebê duplica ao fim dos primeiros seis meses de vida e triplica ao fim de um ano.

A quantificação tão rigorosa deste ganho de peso não deve ser muito valorizado.  Deve-se considerar que estes valores podem variar porque cada bebê tem o seu próprio ritmo de crescimento, sobretudo dependendo do tipo de alimentação que faz, devendo ser sempre um profissional de saúde, o enfermeiro, o médico de família, pediatra ou o nutricionista a avaliar se o ritmo é adequado ou não.

Amamentação Artificial:

A amamentação é geralmente menos dispendiosa do que o leite artificial e possui uma série de benefícios para a mãe e para o bebê, benefícios esses que não estão presentes no leite artificial.

A alimentação artificial, com fórmulas infantis a base de leite de vaca, soja ou outras fontes, pode ser utilizada quando a mãe está impossibilitada de amamentar; em necessidades nutricionais especiais, como doenças metabólicas; ou quando a mãe tem uma infecção ativa, como a do vírus da imunodeficiência humana (HIV), por exemplo.

Durante este tipo de alimentação é importante também que se promova a relação entre os pais e o bebê.  Se aconselha que os pais devam assumir uma posição face a face com a criança, a olhar nos seus olhos, e a mantê-la próxima de si e segura.   Este período é ideal para ir falando com a criança, para cantar para ela ou simplesmente estar tranquila com o bebê.

 

Este tipo de alimentação permite também que o pai e toda a família possam participar desse momento do bebê.

Período da Amamentação:

A OMS (Organização Mundial de Saúde) preconiza o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses.

Vale lembrar que o aleitamento materno deve ser continuado por até dois anos ou mais como uma forma de complementar a alimentação da criança.

Introdução Alimentar:

A introdução de novos alimentos antes dos 06 meses de idade não é aconselhável, pois para os bebês o leite materno é o ideal para a sua alimentação.

Aos 06 meses o aparelho digestivo do bebê já está suficientemente desenvolvido para receber os alimentos sólidos e as crianças começam a precisar de outros nutrientes além do que é oferecido pelo leite materno.

É importante atentar à qualidade do alimento oferecido ao bebê. Os pais podem preparar a alimentação dos seus filhos e não são necessários alimentos infantis preparados comercialmente.  Alguns alimentos podem também contribuir para a obesidade do bebê, que não quer dizer que o bebê é mais saudável por aumentar tanto de peso, ou até para o aparecimento de alergias, pois o seu sistema imunitário, as suas defesas, ainda não estão suficientemente fortes.

Doação de Leite Materno:

Mamas cheias a ponto de a mamãe sentir desconforto entre as mamadas e a produção excessiva de leite materno estão entre os relatos mais frequentes das doadoras de leite humano; mamães que optam por ajudar a salvar vidas com o leite não consumido pelo seu bebê. 

 

No entanto, não é necessário ter uma produção demasiada de leite para se tornar doadora e não existe quantidade mínima para a doação.

O leite materno é essencial para a saúde e sobrevivência de bebês prematuros e de baixo peso - com menos de 2.500gr - que estão internados nas unidades neonatais do Brasil e não conseguem sugar o peito de suas próprias mães.

Um pote de leite materno doado, por exemplo, é capaz de alimentar dez recém-nascidos internados por dia.  Dependendo do peso do bebê, cerca de 01 ml já é o suficiente para nutri-lo cada vez que ele for alimentado.

Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano está presente em todos os estados brasileiros, com mais de 220 bancos de leite materno e 190 postos de coleta.  Veja, clicando aqui, a unidade mais próxima de sua residência.

Lá há um passo a passo de como coletar e armazenar o leite materno pra doação. 

Semana Mundial do Aleitamento Materno:

 

1º de agosto é comemorado o Dia Mundial da Amamentação, data criada em 1992 pela Aliança Mundial de Ação pró-amamentação (World Alliance for Breastfeeding Action - WABA) com a finalidade de promover o aleitamento materno e a criação de bancos de leite, garantindo, assim, melhor qualidade de vida para crianças em todo o mundo.

A data é comemorada dentro da Semana Mundial de Aleitamento Materno, que ocorre em 120 países anualmente entre os dias 01 e 07 de agosto.

 

Leia, também, sobre a Laserterapia na Amamentação e como ela ajudar no tratamento de fissuras e dores mamilares.

 

O vídeo abaixo, em animação, mostra de forma muito didática todo o processo da amamentação. Pegada, deglutição e etc..

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