Entendendo o Autismo

O autismo é um distúrbio neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restrito e repetitivo.

Presume-se que há uma causa comum genética, cognitiva e de níveis neurais para a tríade de sintomas característica do autismo.

 

Os três distúrbios reconhecidos do espectro do autismo (ASD) são o próprio autismo e os outros dois a Síndrome de Asperger, com a ausência de atrasos no desenvolvimento cognitivo e o Transtorno Global do Desenvolvimento sem Outra Especificação, PDD-NOS (sigla em inglês) ou TID-SOE (sigla em português), que é diagnosticado quando o conjunto completo de critérios do autismo ou da Síndrome de Asperger não são cumpridos.

 

É um transtorno neurológico altamente variável, que aparece pela primeira vez durante a infância ou adolescência e geralmente segue um curso estável, sem remissão.

 

A severidade do autismo está classificada em 3 níveis, sendo o nível 1 o mais ligeiro, 2 o nível médio/moderado e o nível 3 o grau mais grave.

 

O diagnóstico do autismo baseia-se no comportamento e não nas causas ou mecanismo.

 

O autismo é definido no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (manual para profissionais da área da saúde mental que lista diferentes categorias de transtornos mentais e critérios para diagnosticá-los, de acordo com a American Psychiatric Association - APA) tal como exibindo pelo menos seis sintomas no total, incluindo pelo menos dois sintomas de deficiência qualitativa na interação social, pelo menos, um sintoma de deficiência qualitativa em comunicação, e pelo menos um sintoma de comportamento restrito e repetitivo.

 

O início deve ser anterior a idade de três anos com atrasos ou funcionamento anormal em qualquer interação social, linguagem usada na comunicação social ou jogo simbólico ou imaginativo.

 

Os sintomas evidentes começam gradualmente após a idade de seis meses, mas geralmente estabelecem-se entre os dois ou três anos e tendem a continuar até a idade adulta, embora muitas vezes de forma mais moderada.

 

Os sinais geralmente desenvolvem-se gradualmente, mas algumas crianças com autismo alcançam o marco de desenvolvimento em um ritmo normal e depois regridem.

 

Poucas crianças com autismo vivem de forma independente depois de atingir a idade adulta, embora algumas tenham sucesso.

 

O autismo destaca-se não por um único sintoma, mas por uma tríade de sintomas característicos: prejuízos na interação social, deficiências na comunicação e interesses e comportamento repetitivo e restrito.

 

Os sintomas individuais de autismo ocorrem na população em geral e não são sempre associados à síndrome quando o indivíduo tem apenas alguns traços, de modo que não há uma linha nítida que separe traços patologicamente graves de traços comuns.

 

As diferenças na comunicação podem estar presentes desde o primeiro ano de vida e podem incluir o início tardio do balbucio, gestos incomuns, capacidade de resposta diminuída e padrões vocais que não estão sincronizados com o cuidador.  No segundo e terceiro anos, as crianças com autismo têm menos balbucios frequentes e consoantes, palavras e combinações de palavras menos diversificadas; seus gestos são menos frequentemente integrados às palavras.

 

As crianças com autismo são menos propensas a fazer pedidos ou compartilhar experiências e são mais propensas a simplesmente repetir as palavras dos outros (ecolalia) ou reverter pronomes, trocando o "eu" pelo "você", por exemplo.

 

A atenção conjunta geralmente tem prejuízo, fazendo com que não apontem um objeto que julguem interessante com o intuito de comentar ou compartilhar a experiência com alguém, bem como não demonstrem interesse no que outra pessoa deseja compartilhar.

 

As crianças com autismo podem ter dificuldade em jogos imaginativos e com o desenvolvimento de símbolos em linguagem.

 

Intervenções precoces em deficiências comportamentais, cognitivas ou da fala podem ajudar as crianças com autismo a ganhar autonomia e habilidades sociais e de comunicação.

 

Indivíduos autistas exibem muitas formas de comportamento repetitivo ou restrito como:

  • Estereotipia que é o movimento repetitivo, como agitar as mãos, virar a cabeça de um lado para o outro ou balançar o corpo;

  • Comportamento compulsivo destina-se e parece seguir regras, como organizar objetos em pilhas ou linhas.

  • Uniformidade que é a resistência à mudanças; por exemplo, insistir que os móveis não sejam movidos ou recusando-se a ser interrompido.

  • Comportamento ritualista que envolve um padrão invariável de suas atividades diárias, como um menu imutável ou um ritual de vestir.  Isto está intimamente associado com a uniformidade e uma validação independente sugeriu a combinação dos dois fatores.

  • Comportamento restrito que é o foco limitado em um só interesse ou atividade, como a preocupação com um programa de televisão, brinquedo ou jogo e

  • Automutilação que inclui movimentos que ferem ou podem ferir a pessoa, como o dedo nos olhos, bater a cabeça ou morder as mãos, cutucar feridas, arranhar-se ou pressionar alguma parte do corpo contra um objeto ou superfície que machuque também são formas de automutilação/autoagressão.

 

Nenhum comportamento repetitivo ou autodestrutivo parece ser específico para o autismo, mas só o autismo parece ter um padrão elevado de ocorrência e gravidade destes comportamentos.

 

Muitos indivíduos com ASD demonstram habilidades superiores de percepção e atenção, em relação à população em geral. 

 

Anormalidades sensoriais são encontrados em mais de 90% das pessoas com autismo, e são consideradas como principais recursos por alguns, embora não haja nenhuma boa evidência de que sintomas sensitivos diferenciam o autismo de outros transtornos do desenvolvimento.

 

As diferenças são maiores para baixa resposta (por exemplo, caminhar ou pisotear coisas) do que para super resposta (por exemplo, irritação por ruídos altos) ou para busca de sensações (por exemplo, movimentos rítmicos).

 

Estima-se que 60% a 80% das pessoas autistas têm sinais motores que incluem tonicidade muscular pobre, falta de planejamento motor e andar na ponta dos pés; déficits na coordenação motora existem em toda a ASD e são maiores no autismo propriamente.

 

Estima-se que 0,5% a 10% dos autistas mostrem habilidades incomuns, variando de habilidades dissidentes, como a memorização de trívias até talentos extremamente raros de autistas "savants" prodígios; conhecida com síndrome do sábio ou ainda savantismo (do francês savant, "sábio") é considerado um distúrbio psíquico com o qual a pessoa possui uma grande habilidade intelectual aliada a um déficit de inteligência. Tais habilidades são sempre ligadas a uma memória extraordinária, porém com pouca compreensão do que está sendo descrito.

 

Os principais objetivos no tratamento de crianças com autismo, para diminuir os déficits associados e a angústia da família e para aumentar a qualidade de vida e independência funcional; são:

- estimular o desenvolvimento social e comunicativo;

- aprimorar o aprendizado e a capacidade de solucionar problemas;

- diminuir comportamentos que interferem com o aprendizado e com o acesso às oportunidades de experiências do cotidiano e

- ajudar as famílias a lidarem com o autismo.

 

Não existe um único tratamento melhor e o tratamento é geralmente sob medida para as necessidades da criança.

 

O Dia Mundial do Autismo, celebrado anualmente em 02 de abril, foi criado pela Organização das Nações Unidas em 18 de dezembro de 2007 para a conscientização acerca dessa questão.

 

No site da Associação Brasileira de Autismo, você encontra a lista de todas as entidades afiliadas cadastradas no Brasil. Para ver a lista completa, clique aqui.

 

A indústria cinematográfica aborda constantemente o tema em filmes e série

Um exemplo é o seriado de grande sucesso Atypical da Netflix. Veja o trailer clicando aqui.  

 

No vídeo abaixo a série sobre o tema exibida pelo Fantástico da TV Globo.

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