Introdução Alimentar e BLW

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam ALEITAMENTO MATERNO exclusivo até os seis meses, por ser o melhor e mais completo alimento para o bebê até essa fase.

 

A partir do sexto mês é importante começar a oferecer uma variedade de alimentos, adequados para a idade da criança, mantendo-se também o leite materno ainda se possível.

 

O melhor momento para apresentar comidas é quando você e o resto da família estão comendo, não só pela experiência alimentar como pela rotina de participar de refeições com todo mundo.

 

Na INTRODUÇÃO ALIMENTAR tradicional, são os adultos que decidem quando e como o bebê começa a comer, oferecendo papinha doce, papinha salgada e etc.  Oferecem colheradas de alimentos batidos ou amassados na colher e progridem gradualmente a consistência e textura dos alimentos até que o bebê passa a comer a mesma comida da família. Essa é a introdução alimentar tradicional.

 

Mais recentemente - em 2008 - surge um novo conceito introduzido por Gill Rapley e Tracey Murkett, coautoras do livro Baby-led Weaning: Helping Your Baby To Love Good Food, algo como “Baby-led Weaning: ajudando seu bebê a amar boa comida” em português.

 

Em linhas gerais, é uma alimentação sem o uso de colheres, papinhas ou mingaus, guiada pelo próprio bebê.

 

No baby-led weaning (BLW), o bebê tem autonomia para decidir quando começa e quando termina todo esse processo, e a alimentação é baseada nos seus instintos inatos e na sua capacidade de auto-regulação.

 

A chave para a conquista da autonomia e para o desenvolvimento das habilidades de auto-alimentação está na oferta de alimentos em pedaços que o bebê consiga manipular com suas próprias mãos e que sejam adequados ao seu nível de desenvolvimento.

 

O baby-led weaning (BLW) tem o seguinte conceito:

 

O BLW é uma abordagem de introdução alimentar que engloba oferecer alimentos saudáveis, compartilhando as refeições da família, certificando-se de que apenas o bebê coloque comida em sua própria boca.  Aos pais e cuidadores, fica a responsabilidade de confiar que ele saiba se deve comer, o que comer, o quanto e com que rapidez – além de oferecer alimentos palpáveis desde o início, possibilitando assim que eles peguem com suas próprias mãos (Rapley, 2016).

 

Os alimentos em pedaços são o meio e não o fim.

 

Adequar os cortes dos alimentos para que o bebê possa pegá-los é muito importante pois, de outra forma, suas habilidades seriam insuficientes pra que ele tivesse autonomia pra se auto-alimentar, sem interferência, desde o início.  Mas embora seja uma etapa fundamental do processo, o objetivo principal é que, a partir da apresentação dos alimentos em pedaços, o bebê seja capaz de ser o protagonista da sua própria alimentação.

Assim, BLW é mais do que apenas oferecer sua comida para o bebê pegar – é sobre a confiança dele para saber o que ele precisa.

 

Nesse processo é perfeitamente normal se preocupar com que o bebê possa engasgar ao tentar comer pedaços inteiros de alimentos.  Por esse motivo, o melhor, dizem os especialistas no método, é esperar que ele consiga sentar direitinho.

O fato de o bebê poder manusear o alimento, controlar a quantidade de comida e movimentá-la para o fundo da boca diminui o risco de engasgo.

 

Mas é muito importante, nessa fase, nunca deixe o bebê comendo sozinho.

No vídeo abaixo você assiste o registro da alimentação de um bebê dos 06 aos 10 meses de idade. Repare na forma que o alimento é oferecido e como ele progride à medida que aprimoram suas habilidades.

De forma resumida podemos dividir assim a alimentação no primeiro ano de vida:

Do nascimento ao 6º mês:

O Ministério da Saúde recomenda a amamentação até os dois anos de idade ou mais, e que nos primeiros 6 meses, o bebê receba somente leite materno, sem necessidade de sucos, chás, água e outros alimentos.

Caso a mamãe tenha algum problema que impede o aleitamento, o ideal é consultar o pediatra para indicação de formulas e leites especiais.

Até mesmo nas cidades mais quentes não há recomendação de adicionar água na alimentação da criança até os seis meses de vida.  

A mãe, por outro lado, precisa manter-se hidratada, através da ingestão de água, sucos de frutas, frutas suculentas.

Nunca pense em hidratar-se com refrigerantes e bebidas adocicadas, pois estas além de favorecer o ganho de peso, não cumprem a função de hidratação.

6º e 12º mês:

Continuar com o leite materno, mas nessa idade já é possível adicionar alimentos (frutas e legumes). O momento da introdução alimentar é indicada por pediatras ou nutricionistas. Normalmente, começa-se aos 6 meses, substituindo uma das refeições de leite por uma refeição de fruta (lanche) ou legume (almoço) para complementar a alimentação e introduzir novos alimentos e mantém-se as restantes refeições de leite. Gradualmente, outras refeições com alimentos são acrescentadas à rotina da criança.

 

A partir dos 12 meses de idade não há restrições alimentares, exceto se indicadas pelo médico. O menu do bebê pode acompanhar a alimentação saudável da família.

 

 

É importante reforçar que mesmo recebendo outros alimentos, a criança deve continuar a amamentação no peito até os 2 anos ou mais, pois o leite materno continua alimentando a criança e protegendo-a contra doenças.​

Desenvolvimento Alimentação Infantil | Livia Scelza | Fonoaudióloga

Se, na fase de introdução aos novos alimentos, a criança não aceitar bem e isso se estender por um longo período, deve-se ter atenção, pois existem fatores que podem levar a Aversão e Seletividade Alimentar. O ideal é que essa criança seja avaliada por um FONOAUDIÓLOGO especializado.

 

A FONOAUDIOLOGIA atua na alimentação, desde o primeiro momento, ainda na maternidade, quando ocorre alguma dificuldade entre mamãe e bebê na amamentação, tratando também toda e qualquer alteração ou desvio no processo de deglutição e disfagia.

 

Para reabilitação utiliza técnicas terapêuticas descritas no artigo deglutição, exercícios de MOTRICIDADE ORAL,  assim como recursos como a eletroterapia, laserterapia de baixa potência, bandagem terapêutica, entre outros para restabelecer as funções que permitam a correta alimentação e melhora na qualidade de vida.

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