Entendendo a Paralisia Facial

A Paralisia Facial é uma diminuição da contração (paresia) ou uma paralisia total de todos, ou alguns, músculos da expressão facial que ocorre por uma interrupção da informação motora do nervo facial e acomete parte da face do indivíduo, podendo se apresentar de várias maneiras.

 

O nervo facial é responsável pela movimentação da face, mas também pelo funcionamento das glândulas lacrimais e salivares, pela gustação dos 2/3 anteriores da língua e pela contração do músculo estapédio (orelha).  Quando afetado pode acarretar secura na boca e nos olhos, alterações no paladar e intolerância e sensibilidade a barulhos altos.

 

As Paralisias Faciais podem ser classificadas em Paralisia Facial Central e Paralisia Facial Periférica.

 

Na Paralisia Facial Central, as estruturas lesionadas estão acima do núcleo do nervo facial, ou seja, é uma lesão no córtex cerebral.  A paralisia ocorre no lado oposto à lesão cortical e caracteriza-se por uma paralisia unilateral somente na parte inferior da face, mantendo a movimentação normal da parte superior bilateralmente.

 

Já na Paralisia Facial Periférica, a lesão ocorre do núcleo do nervo facial em direção à periferia, caracterizando-se por uma dificuldade em toda movimentação, tanto superior quanto inferior, de um dos lados da face.  Podem ocorrer alterações do lacrimejamento, fechamento da pálpebra, impossibilidade de ocluir completamente os lábios, dentre outras.

 

As causas da Paralisia Facial podem ser diversas, como, por exemplo, metabólicas, traumáticas, congênitas, virais, infecciosas, vasculares, tóxicas ou tumorais.  Existem ainda paralisias que são de causa idiopática (desconhecida), como a Paralisia de Bell.

 

A Paralisia de Bell é o tipo mais frequente e caracteriza-se por um aparecimento súbito, sem acometimento neurológico ou do ouvido.

 

O diagnóstico da paralisia facial é feito através da observação do indivíduo e na maioria das vezes não é necessário realizar exames complementares. Contudo, para certificar-se de que se trata somente de uma paralisia facial pode-se recorrer à ressonância magnética.

 

Existem três fases da Paralisia Facial:

  • a fase flácida que é o momento inicial da Paralisia Facial que é caracterizado por pouco ou nenhum movimento no lado da face paralisado;

  • a fase de recuperação do movimento que ocorre quando a musculatura começa a apresentar algum movimento; e

  • a fase de sequela que pode ocorrer em torno de três meses após a instalação da paralisia, podendo o paciente desenvolver alguma sequela, caracterizada por sincinesia (movimentos involuntários no lado afetado pela paralisia que aparecem associados a movimentos voluntários de grupos musculares independentes) ou contratura (rigidez observada no lado da face comprometido).

 

A intervenção deve ser iniciada precocemente, mesmo nos casos da Paralisia Facial de Bell, pois a recuperação das funções depende do tipo de comprometimento do nervo, grau e duração do tempo de reinervação, bem como as suas conexões motoras e sensoriais.  É importante evitar ao máximo atrofia muscular e impedir níveis mais severos de degeneração do nervo facial.

 

O tratamento para a Paralisia Facial é multidisciplinar e o fonoaudiólogo é um dos profissionais habilitados e competentes para o tratamento.

 

A terapia fonoaudiológica preconiza reabilitar as funções orais tais como a fala, a mastigação, deglutição, sucção e a expressividade facial.

 

O fonoaudiólogo também avalia a necessidade de algum encaminhamento (neurológico, oftalmológico, otorrinolaringológico, cirurgião de cabeça e pescoço, fisioterápico ou psicológico) e propõe as estratégias de fonoterapia adequadas para dar funcionalidade à musculatura afetada, contribuindo para diminuir o tempo de recuperação.

 

A avaliação fonoaudiológica durante o exame clínico consiste em duas fases:

  • avaliação da face em repouso:

Na avaliação da face em repouso deve-se observar se há alguma alteração total ou parcial das estruturas envolvidas, como, por exemplo, se o olho está mais aberto ou se a pálpebra inferior está caída, se as bochechas estão flácidas, se os lábios estão caídos, se há rebaixamento da ponta da sobrancelha, entre outros.

  • avaliação da mobilidade da musculatura mímica facial:

Na avaliação da mobilidade, o objetivo será avaliar as expressões faciais.

 

A abordagem fonoaudiológica na recuperação dos movimentos faciais trouxe uma nova perspectiva ao tratamento da Paralisia Facial, a terapia fonoaudiológica miofuncional, um conceito de reabilitação funcional dos músculos faciais visando dar funcionalidade aos movimentos e à musculatura, bem como a adequação das funções neurovegetativas, fala e expressão do indivíduo.

 

Nesse caso os músculos são estimulados por meio de exercícios que promovem a contração muscular.  São realizados vários tipos de exercícios: estímulo frio, massagens tonificadoras, massagens indutoras, exercícios isométricos, isotônicos e isocinéticos.

 

A fonoterapia, trabalhando com a conscientização e colaboração do paciente quanto aos movimentos realizados, vai estimulá-lo na realização dos exercícios por ele saber o que está fazendo e em que isso irá auxiliá-lo.  É importante que os exercícios indicados sejam realizados também em casa, permitindo ao paciente que se auto ajude tornando a terapia mais eficaz e diminuindo o tempo de reabilitação, envolvendo e ajudando no aspecto emocional, que não pode ser esquecido numa patologia que interfere tanto na imagem do paciente.

 

Para reabilitação o fonoaudiólogo conta ainda com um variado arsenal de técnicas terapêuticas, como a eletroterapialaserterapia de baixa potência, bandagem terapêutica, exercícios de MOTRICIDADE ORAL, drenagens faciais, manipulações musculares e exercícios ativos para restabelecer as funções estomatognáticas e acelerar a recuperação permitindo a correta alimentação, fala e melhora na qualidade de vida.

 

O trabalho fonoaudiológico pode ser realizado também nos casos em que há indicação cirúrgica, podendo ser feito antes para a preparação da musculatura e, após, visando auxiliar a melhor recuperação.

 

Esse é o diferencial da intervenção fonoaudiológica para os outros tratamentos, que na maioria das vezes tentam restabelecer a estética sem a devida importância às funções.

 

A expressão facial é a manifestação que pode demonstrar mais fielmente os sentimentos, às vezes transmitindo muito mais informações que a própria comunicação oral.

Paralisia Facial Congênita

A Paralisia Facial também pode ser observada em bebê. 

 

A Paralisia Facial Congênita não é frequente em recém-nascidos. Sua incidência é de 1,4% dos nascimentos vivos.

 

As causas que geram a paralisia do 7º nervo craniano no recém-nascido podem ser devido a erros de embriogênese ou adquiridos durante a gestação, ou aqueles ocasionados durante o parto.

As causas adquiridas podem vir da pressão na face provocada pela proeminência sacral durante o trabalho de parto ou a utilização do fórceps.

Nos casos de trauma de parto, geralmente a paralisia associa-se a outros sinais, como edema facial, equimoses e hemotímpano.

Traumatismos de parto são responsáveis por 78% dos casos de paralisia facial.

Entre as etiologias congênitas, a Síndrome de Moebius é a mais estudada.

Na Síndrome de Moebius observa-se uma fraqueza ou paralisia dos músculos faciais o que dificulta a expressão das emoções através da face. 

O sexto nervo (nervo abducente) e o sétimo (nervo facial) cranianos estão envolvidos nesta doença.

Ocorre paralisia facial uni ou bilateral, estrabismo convergente e pode ocorrer também paralisia de outros nervos cranianos, malformações dos membros (pés tortos congênitos, artrogripose e sindactilia ) e malformações de estruturas faciais.

Outras síndromes podem apresentar Paralisia Facial como a Síndrome de Poland ou a Síndrome de Goldenhar.

A avaliação fonoaudiológica especializada é determinante ainda nas primeiras horas de vida do bebê que apresenta Paralisia Facial Congênita ou outras síndromes que apresentem paralisia.

A atuação fonoaudiológica, através da terapia miofuncional, tem como objetivo a recuperação dos movimentos faciais e principalmente a adequação das funções estomatognáticas, como a sucção, deglutição, respiração, tão importantes para o adequado desenvolvimento do bebê.

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